Um relacionamento que começou como um conto de fadas
O início da relação de Lana Hernandes pode ser comparado a um conto de fadas. De fato, a história começou com gestos carinhosos, incluindo flores e chocolates, e a sensação de ter encontrado a pessoa ideal. No entanto, à medida que o tempo passou, o que a princípio parecia cuidado começou a transitar para um ambiente de controle.
O controle e a violência se intensificam
Com o avanço da relação, Lana viu sua autonomia ser gradualmente minada. O então parceiro começou a interferir em diversas áreas de sua vida, desde os lugares que frequentava até seus relacionamentos e até mesmo seu trabalho. O controle chegou ao extremo, onde até o celular dela foi usado para espionagem, com tecnologia que incluía escuta e rastreamento, resultado de um relacionamento que rapidamente se tornou opressivo.
Lana troca seu passado pela segurança
Em busca de segurança e um novo começo, Lana tomou a difícil decisão de deixar sua cidade natal e se mudar para Araraquara. Essa mudança significou não apenas abandonar sua rotina diária e a cidade que conhecia, mas também se afastar de seu filho. Esse ato doloroso de deixar para trás a família e tudo que havia construído na sua antiga vida ilustra a complexidade e a tristeza que acompanham situações de violência doméstica.

A dor da maternidade à distância
A transição para uma nova vida não foi fácil. A profunda conexão entre mãe e filho foi severamente abalada, e Lana descreve a experiência de não poder participar de momentos importantes da vida do filho, como buscá-lo na escola ou almoçar juntos. Ela reflete sobre a dor de ser mãe à distância e expressa a esperança de que um dia o filho possa entender suas escolhas. A culpa que ela carrega é um fardo que permeia sua jornada.
Como a mudança trouxe novos desafios
Ao chegar em Araraquara, Lana se deparou com novos desafios, tanto emocionais quanto financeiros. Sem uma rede de apoio estabelecida, ela precisou recomeçar do zero, lidando com a insegurança financeira que veio com um emprego de carga horária reduzida. Uma das mulheres que conheceu durante esse período se tornou uma figura fundamental em sua vida, oferecendo o apoio necessário para que Lana pudesse se estabilizar.
A importância de uma rede de apoio
A rede de apoio que Lana encontrou em Araraquara foi crucial. A amizade de uma colega não só lhe proporcionou um lugar para ficar, mas também um espaço seguro para recomeçar. Essa experiência destaca a importância de ter suporte emocional em momentos de crise. Ela reflete sobre como essa rede foi essencial para permitir que ela se reorganizasse e olhasse para o futuro.
A luta pela autoestima e reconstrução
O recomeço foi um processo gradual e exigiu que Lana reseconstruísse sua autoestima. O que uma vez havia sido uma história de opressão e violência se transformou em um relato de superação. Ao se tornar mentora corporativa, Lana agora compartilha sua história, proporcionando esperança a outras mulheres que enfrentam situações semelhantes.
Mentoria e palestras: ajudando outras mulheres
Atualmente, Lana realiza palestras sobre violência doméstica, utilizando suas experiências pessoais para inspirar e ajudar outras mulheres a romperem o ciclo de violência. O impacto que sua história tem causado em outras vidas é a maior recompensa que ela poderia esperar. Ao ver mulheres se motivando a buscar ajuda e a mudar suas realidades, ela percebe o valor de compartilhar sua jornada.
O que é o ciclo da violência?
Uma das revelações mais preocupantes de Lana foi a identificação do chamado ciclo da violência, no qual fases de tensão e agressão se alternam com períodos de “lua de mel”. Esse padrão provoca uma forma de dependência emocional e torna extremamente desafiador para as vítimas nos seus esforços para se libertar. Lana testemunhou em primeira mão como a escada da violência pode se intensificar, levando muitas mulheres a um lugar sombrio no qual se sentem presas.
As consequências da perseguição após a separação
Após a separação, a luta de Lana não terminou. O agressor passou a persegui-la, enviando vídeos e fotos que demonstravam que ele continuava monitorando seus passos, uma situação que a fez sentir-se insegura e novamente vulnerável. Esse comportamento se alinha com o crime de perseguição, ou stalking, a qual se tornou um crime tipificado pela legislação brasileira em 2021. Esse novo desafio só reforça a necessidade das vítimas de terem um suporte adequado para lidar com esse tipo de situação.
Com essa narrativa, Lana Hernandes exemplifica não apenas a luta contra a violência doméstica, mas também uma jornada de resiliência e superação. Sua história serve como um poderoso lembrete de que, apesar das sombras do passado, é possível recomeçar e ajudar outras a encontrar seu próprio caminho à liberdade.


