Sistema que gera eletricidade com o uso de bactérias marinhas é desenvolvido na Unesp; entenda

O que são bactérias marinhas e sua importância

Bactérias marinhas, também conhecidas como cianobactérias, são organismos unicelulares que desempenham um papel essencial nos ecossistemas aquáticos. Elas são reconhecidas como um dos primeiros seres vivos a produzir oxigênio na Terra, contribuindo significativamente para a atmosfera que conhecemos hoje. Além de seu papel crucial na produção de oxigênio, as cianobactérias também realizam processos de fixação de carbono, onde elas absorvem dióxido de carbono (CO₂) do ambiente e o utilizam para crescimento e desenvolvimento.

A importância das bactérias marinhas reside em suas múltiplas funções ecológicas, que vão desde a base da cadeia alimentar marinha até a regulação de ciclos biogeoquímicos. Elas servem como alimento para diversos organismos, influenciando a biodiversidade dos oceanos.

Como funciona o sistema de geração de eletricidade

O sistema desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) utiliza a fotossíntese das cianobactérias para gerar eletricidade. O protótipo é composto por três módulos interconectados: um reservatório onde as cianobactérias são cultivadas, um reator bioeletroquímico e uma torre para captação da luz solar.

sistema que gera eletricidade com o uso de bactérias marinhas

Quando as cianobactérias entram em contato com a radiação solar, elas realizam a fotossíntese, um processo que envolve a quebra de moléculas de água, a geração de oxigênio e a liberação de elétrons. Esses elétrons são capturados por eletrodos no reator, criando uma diferença de potencial elétrico que resulta na geração de eletricidade.

Captação de carbono e benefícios ambientais

Um dos aspectos inovadores deste sistema é sua capacidade de capturar carbono da atmosfera. O CO₂ absorvido pelas cianobactérias durante a fotossíntese é convertido em biomassa, contribuindo para a diminuição da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

Além disso, o dispositivo também produz oxigênio, além de gerar energia elétrica. Essa dupla função torna o sistema extremamente promissor para lidar com as mudanças climáticas, promovendo não apenas a geração de energia limpa, mas também a mitigação dos efeitos do aquecimento global.

O processo de fotossíntese das cianobactérias

As cianobactérias realizam a fotossíntese utilizando a energia solar, água e carbono. Elas convertem luz solar em energia química, quebrando a água em oxigênio e hidrogênio. Esse processo é fundamental, pois permite que as cianobactérias gerem energia para suas necessidades metabólicas e contribuam para o ciclo do oxigênio na atmosfera.

As cianobactérias são adaptáveis e podem ser encontradas em ambientes marinhos e de água doce, onde existe luz solar suficiente. A espécie utilizada no protótipo desenvolvido na Unesp, Synechocystis pevalekii, foi selecionada devido a sua eficiência na fotossíntese e capacidade de sobrevivência em condições variadas.

Resultados obtidos nos testes e experimentos

Os testes realizados com o protótipo mostraram resultados promissores na geração de eletricidade. Em experimentos de laboratório utilizando fitas de LED que simulam a luz solar, o sistema alcançou a marca de 227,47 miliwatts por metro quadrado. Em testes de campo, sob luz solar direta, o sistema obteve um desempenho de 215,30 miliwatts por metro quadrado.



Embora essas potências sejam atualmente adequadas apenas para dispositivos de baixo consumo, como sensores e relógios digitais, elas demonstram que o sistema pode operar eficientemente em diferentes condições de luz e temperatura.

Desafios enfrentados na pesquisa e desenvolvimento

Durante o desenvolvimento do sistema, a pesquisa enfrentou vários desafios, como a otimização dos componentes do reator bioeletroquímico e a necessidade de garantir a eficiência das cianobactérias na conversão de luz solar em energia. Um dos principais obstáculos foi integrar o sistema biológico das cianobactérias com os componentes físicos e elétricos do protótipo.

Outro desafio importante foi a necessidade de utilizar materiais de baixo custo e ambientalmente sustentáveis em vez de metais raros ou nobres frequentemente utilizados em tecnologia semelhante, como platina e índio.

O papel da Unesp na inovação tecnológica

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) tem se destacado como um centro de inovação tecnológica, especialmente na área de biotecnologia e desenvolvimento sustentável. O sistema de geração de eletricidade com cianobactérias representa um avanço significativo na busca por fontes de energia renováveis e sustentáveis.

Os pesquisadores, liderados pela engenheira de bioprocessos e biotecnologia Giulia Evelin Oliveira Castro, sob orientação do professor Guilherme Peixoto, têm trabalhado para viabilizar não apenas a tecnologia, mas também suas possíveis aplicações em contextos urbanos e industriais.

Possíveis aplicações do sistema na indústria

O sistema de geração de eletricidade com cianobactérias tem um futuro promissor, com potencial para diversas aplicações na indústria. Ele poderia ser integrado a estruturas urbanas, como prédios e fábricas, funcionando como unidades de geração distribuída de energia limpa. Além disso, sua capacidade de fixação de carbono torna-o uma ferramenta valiosa na luta contra as mudanças climáticas.

Um uso potencial é a criação de sensores e pequenos dispositivos eletrônicos que funcionem com a energia gerada, oferecendo uma solução ambientalmente amigável e autossustentável.

Perspectivas futuras para a energia biofotovoltaica

A energia biofotovoltaica representa um campo de pesquisa em franca expansão, com a promessa de uma alternativa viável aos métodos tradicionais de geração de energia. Com a necessidade crescente de fontes de energia limpa, o sistema desenvolvido na Unesp pode ser um passo importante nessa direção.

À medida que novas pesquisas são realizadas, há a possibilidade de aumentar a eficiência e a aplicação do sistema, permitindo sua adoção em larga escala para diferentes setores.

O que significa a patente e suas implicações

A patente submetida ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) não apenas protege a inovação, garantindo que os direitos de propriedade intelectual sejam respeitados, mas também é um reconhecimento do valor do trabalho realizado pela equipe de pesquisadores.

O processo de patenteamento assegura que, ao final do processo, a tecnologia possa ser comercializada, abrindo portas para futuras colaborações e investimentos. Prospersidade financeira e iinovações assim trazem esperança e autenticidade para a área de energias renováveis e sustentáveis.

Conforme o projeto evolua, será possível que novos investimentos sejam captados, facilitando a implementação de uma startup focada em energia biofotovoltaica, potencializando as inovações em tecnologia limpa.



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